De todas as canções que já cantei, nenhum me encantou tanto quanto o silêncio que falou de tudo sem dizer nada em minha alma.
Em versos vagos escreveu o impossível e pintou quadros em uma tela escura em que só minha mente enxergava.
O silêncio é o papel em branco do escritor, a tela limpa do artista.
É onde preenchemos nossos sonhos e cantamos a mesma música. O silêncio é mesmo para todos, mas a arte é diferente. As sementes de nossa memória preenchem as vagas com nossa imaginação e do império de nossos sentidos figuramos o inimaginável.
O silêncio é a arte de ouvir tudo e expressar a massa de nossas ideias. Se você silencia e ouve, aprende mais rápido e modifica seu mundo interior.
Quem externa o mundo de seu silêncio é um artista, coloca para fora o fluído criativo de sua alma.
Se você não gosta do silêncio é porque talvez não queira ver seu conteúdo pois nesta sala fechada só vive seu íntimo, que se não for bom, não criará boas coisas. Quem foge do silêncio foge de si mesmo, não quer ver o horror das pinturas fúnebres de seu eu.
O silêncio no questiona, pergunta a nós mesmos quem somos e o que fazemos, nos aponta o dedo, nos culpa. Quem houver atirado a pedra saberá e fugirá do seu silêncio que gritará o seu horror.
O silêncio é amigo dos brandos, é companheiro dos que pesam suas atitudes, é parceiro daquele que ora, é consolador da alma que chora. É o primeiro passo para o recomeço, reconhecendo as falhas.
Bendito seja Deus que criou o silêncio e do silêncio criou todas as coisas, pois nesta paz imaginou o homem e criou os mundos.
E se nem ele duvidou de sua criação no silêncio, quem sou em para não me calar e silenciar diante desta sabedoria.
Augusto
Psicografia Anderson Neomar Gomes
Psicografia Anderson Neomar Gomes
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